domingo, 13 de setembro de 2020

Excelente Rentrée Escolar

Quando começa mais um ano letivo, estamos todos muito felizes. Vamos manter a chama acesa todo o ano e realizar grandes conquistas pessoais e académicas. BOM ANO 2020/2021 Nada melhor do que começar o ano letivo com um JOGO.

domingo, 19 de janeiro de 2020

A arte de bem escrever

Sermão da Sexagésima, de Padre António Vieira, capítulo VI:
"O sermão há-de ser de uma só cor, há-de ter um só objecto, um só assunto, uma só matéria.
Há-de tomar o pregador uma só matéria: há-de defini-la, para que se conheça há- de dividi-la, para que se distinga; há-de prova-la com a Escritura; há-de declará- la com a razão; há-de confirmá-la com o exemplo; há-de amplifica-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão- de seguir, com os inconvenientes que se devem evitar há-de responder às dúvidas, há-de satisfazer às dificuldades; há-de impugnar e refutar com toda a força da eloquência os argumentos contrários; e depois disto há-de colher, há-de apertar, há-de concluir, há-de persuadir, há-de acabar.
Isto é sermão, isto é pregar; e o que não é isto, é falar de mais alto."

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Análise do poema "Nevoeiro"

NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
                                 Valete, Fratres.
10-12-1928
Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed. 1972). - 104.

Página 125
Leitura | Compreensão
1. “Portugal” (v. 4).
1.1. A caracterização do país é feita através do uso de vocabulário que reenvia para a opacidade e a turvação: “fulgor baço” (v. 3), “Brilho sem luz” (v. 5), “fogo-fátuo” (v. 6).
2. Portugal entristece porque não há estabilidade política (v. 1) e existe uma grande crise de valores sociais e morais (vv. 7-9 e 11-12).
3. Na segunda estrofe, a anáfora dos pronomes indefinidos “Ninguém” (vv. 7-8) e “Tudo” (vv. 11-12) e o paralelismo sintático intensificam a ambiência de indefinição que envolve Portugal. O desalento é geral e a dispersão (típica do nevoeiro) assume igualmente uma abrangência alargada, traduzida nas antíteses “tudo/nada” e “disperso/inteiro” (v. 12) e intensificada na metáfora que associa Portugal a nevoeiro (“Portugal […] és nevoeiro”, v.13). No v. 13, a apóstrofe, “Ó Portugal”, interpela a entidade central do poema.
4. O verso colocado entre parênteses constitui uma nota dissonante no tom pessimista do poema, traduzindo a esperança (“ânsia”) de quem deseja (“chora” [por]) o fim do “nevoeiro”.
5. Nos últimos dois versos, o sujeito poético interpela Portugal, associando-o ao nevoeiro
e anunciando uma nova “Hora”. Nesse sentido, embora o nevoeiro pudesse entender-se,
pela forma como o país é descrito ao longo do poema, como “símbolo do indeterminado”,
ele é também a marca de uma nova “fase da evolução”. Percebe-se que o poeta apela à
concretização de uma mudança e à criação de um novo tempo/império. Deste modo, o nevoeiro com que encerra a obra é, de facto, “prelúdio da manifestação” do Quinto Império, para o qual os portugueses devem estar preparados – tal é a intenção da saudação latina que incita à mudança e à renovação.

Análise do poema "Ilhas Afortunadas"

 AS ILHAS AFORTUNADAS

Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
É a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutamos, cala,
Por ter havido escutar.
E só se, meio dormindo,
Sem saber de ouvir ouvimos,
Que ela nos diz a esperança
A que, como uma criança
Dormente, a dormir sorrimos.
São ilhas afortunadas,
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando.
Mas, se vamos despertando,
Cala a voz, e há só o mar.
26-3-1934
Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed. 1972).- 85.

Página 124
1. A – 3; B – 1; C – 4; D – 2.
2. O adjetivo caracteriza as ilhas onde, de acordo com poema, “o Rei mora esperando”
(v. 13), ou seja, elas são “afortunadas”, lugares de sorte e esperança, por constituírem o
espaço onde D. Sebastião se prepara para regressar e resgatar a glória de Portugal.

 Leitura | Compreensão
As Ilhas Afortunadas fazem parte da tradição clássica. em autores gregos aparecem referidas como paraísos, local do repouso dos deuses e dos heróis míticos. Ptolomeu, soberano do antigo Egito, fala destas ilhas, tal como Homero que refere as "ilhas que ficavam além dos Pilares de Hércules". O historiador romano Plínio-o-Velho e Plutarco, no século I, identificaram as Ilhas Afortunadas com as Canárias, tal como faz Camões no canto V, estância 8
Em Mensagem, Fernando Pessoa fala das Ilhas Afortunadas como mito e símbolo, surgindo como local fora do tempo e do espaço onde os mitos do Quinto Império, do Encoberto, do Sebastianismo esperam para se concretizar. As Ilhas, cuja presença se capta no sono através de sinais auditivos e pelo som das ondas, surgem como lugar do não-tempo e do não-espaço, são "terras sem ter lugar", onde se encontra o Desejado que virá fundar o Quinto Império, "onde o Rei mora esperando".
Fonte

Análise do poema "Quinto Império"

   MENSAGEM: TERCEIRA PARTE - O ENCOBERTO

O QUINTO IMPÉRIO

Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz —
Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!

E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.

Grécia, Roma, Cristandade,
Europa — os quatro se vão
Para onde vai toda idade.
Quem vem viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?
 21-2-1933
Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed. 1972). -82

Página 122
Pré-leitura
1.1. Na primeira tira, o recurso a linguagem náutica remete para a ideia de fazer depender
uma ação do surgimento da oportunidade certa (fala de Dustin) e sugere a falta de
proatividade (fala do pai).
1.2. As situações destacam a falta de iniciativa, de persistência e de comprometimento.

Página 123
Leitura | Compreensão do poema Quinto Império (ver aqui uma explicação sobre Padre António Vieira e a utopia do Quinto Império do Mundo)

1. O verso remete para a infelicidade que, segundo o sujeito poético, caracteriza quem vive acomodado, sem qualquer “sonho” (v. 3), de acordo com a vivência humana descrita nas duas primeiras estrofes.
2. Os vv. 11-12 introduzem a referência à passagem do tempo e as três últimas quintilhas anunciam o advento de uma nova época, de um novo império – o Quinto Império (vv. 21- 23) ligado à “verdade” da morte de D. Sebastião (vv. 24-25).
3. Nas duas últimas estrofes, confrontam-se os tempos passado/presente e futuro. A antítese dos versos 19-20 insinua o surgimento do “dia claro” – o tempo futuro –, que se anuncia sob a égide espiritual dos portugueses, a partir da “noite”, metáfora do passado.
Sucedendo aos quatro anteriores, o Quinto Império deles diferirá pela sua natureza; será
o império da “verdade”, nascida com a morte de D. Sebastião.

Escrita
1. Ao “sonho” referido no poema “O Quinto Império” corresponde a “loucura” do sujeito
poético, em “D. Sebastião, Rei de Portugal”. Ambos remetem para a dimensão espiritual
promotora de ações significativas, que possam distinguir o Homem da mera “besta sadia, /
Cadáver adiado que procria” ou levá-lo a não viver apenas tendo “por vida a sepultura”.

Pós-leitura
1. Resposta pessoal. O poema aponta para a necessidade de ação, para a assunção do
descontentamento como fator fundamental para o avanço, por oposição à quietude feliz e
previsível; o poder terreno esvai-se com o tempo, pelo que o novo “império” espiritual será
construído pelo poder da alma humana e pela força divina, um império “que não existe no
espaço” e que se constitui como o “verdadeiro e supremo destino” de Portugal.

(Manual Português EP, Porto Editora)

Bilhete de Saída

 Relações semânticas entre palavras URL